teorias portáteis sobre poesia
terça-feira, 4 de abril de 2017
teorias portáteis sobre poesia
sábado, 26 de março de 2016
teorias portáteis sobre poesia
Parece-me este vídeo uma boa síntese do que é a poesia. Um autor que é seu leitor, que tem de decifrar as suas próprias, tão íntimas palavras, o seu próprio passado, recriá-lo multiplicando os olhos, num saber das últimas e das primeiras coisas. Ver muito, ver pouco. Um poema perfeito e bem arrumado no seu livro, mas o imenso grão da voz.
sábado, 18 de janeiro de 2014
teorias portáteis sobre poesia
segunda-feira, 23 de setembro de 2013
teorias portáteis sobre poesia
Há em alguns um modo raro de escrever a vida e de viver a poesia. É um caminho muito estreito e assim deslumbrado.
sábado, 2 de março de 2013
teorias portáteis sobre poesia
Como definir a poesia, senhor Breton?
"Seis perguntas ao senhor Breton- sobre o prazer da poesia" in O Prazer da Leitura, Teorema/Fnac, 2010
sexta-feira, 9 de março de 2012
teorias portáteis sobre poesia
A Poesia ou O Fôlego do Nadador
Quando se propõem teorias sobre poesia (mesmo se portáteis) a expectativa será a de anunciar ou celebrar o que a poesia é.
Pedro Eiras no ensaio "O que é a poesia?", com que abre o seu volume A Lenta Volúpia de Cair (Quasi Edições, 2007 - aqui), explica-nos que se trata de uma questão mal colocada. Aliás, será mesmo pertinente (questiona-se de novo) formular a própria pergunta, tratando-se de um objecto como a poesia?
Pedro Eiras:
« Dizer que a poesia "é" implica vê-la enquanto um estado: "a poesia é" impede enunciados como, por exemplo, "a poesia dança" ou "a poesia queima". » (p.14)
« Se a prosa estende o novelo a uma velocidade alucinante, a poesia deixa as palavras em ilhas e pede que nademos de praia em praia. Os pulmões do nadador trabalham contra as ondas. || O poema mantém as palavras entre distâncias, não entre medidas. A única medida, a haver, é o fôlego do nadador. » (p.19)
É assim também no belíssimo vídeo em que Roberta Ferraz diz um poema de Fiama Hasse Pais Brandão ("Anjo de papel ou de água?"), incluído na série "Empreste sua voz a um poeta morto", em Modo de Usar & Co (aqui).
quarta-feira, 6 de julho de 2011
teorias portáteis sobre poesia
O Poeta Dorme Sempre de Pé
Esta teoria portátil nasce de alguns acasos e circunstâncias. Tenho andado às voltas com um poema sobre a Torre dos Clérigos (tão vertical, como sabemos) e o seu autor, Nicolau Nasoni, que estará sepultado (supõe-se que na horizontal) em lugar incerto da igreja anexa, tudo pretensamente para a minha série de poemas Os Lugares Perdidos, cujo título talvez se perca mudando precisamente para O Lugar Que Muda o Lugar - mas nada disto é, de facto, muito rigoroso.
O Cubo
O senhor Valéry dormia sempre de pé para não adormecer.Ele explicava: Uma torre é feita para ver tudo. E acrescentava: Não há torres horizontais.
No entanto, provocado, o senhor Valéry decidiu desenhar uma torre deitada.E depois explicou:
-Se a torre for um cubo vemos o mesmo, lá de cima, quer ela esteja na vertical ou na horizontal.E desenhou uma torre em forma de cubo, na horizontal.
Depois desenhou uma torre em forma de cubo, na vertical.-É igual, vêem?
E o senhor Valéry concluiu, dizendo, num tom filosófico e profundo:- Se todas as coisas fossem cubos não haveria tantas discussões. E não existiria a dúvida.
Depois de uma pequena pausa, o senhor Valéry disse ainda:-Não é por acaso que eu durmo sempre de pé.
Gonçalo M. Tavares, O Senhor Valéry, Caminho, 2002 - desenhos de Rachel Caiano
Há belíssimos poemas que servem só para neles adormecermos, há canções de embalar, mas uma das qualidades da poesia (sim, a palavra não é pacífica...) poderá ser a de dormir de pé. Ela propõe uma distância, um repouso do mundo apenas para nele contrariar a uniformidade, e então ver simplesmente tudo, até porque as dúvidas não permitem o horizontal sono profundo, pelo qual talvez (lá muito no fundo) anseie. É claro que, ao defendermos uma perspectiva tão elevada da poesia, dificilmente escaparemos à tipificação irónica de uma história exemplar.
sábado, 27 de novembro de 2010
teorias portáteis sobre poesia
Poesia e Real ou O Poeta e o Mar
terça-feira, 22 de junho de 2010
teorias portáteis sobre poesia
jorge colombo, the reader (recolhido aqui)
A Leitora
Ler, e ler, por maioria de razão, poesia, poderá exigir para muitos uma metafísica, mas implica, antes de mais, e para todos, uma física. Mau estar, embaraço, desencontro. Ou então felicidade viva, corpo a corpo, talvez uma arte de amar. É o que nos propõe o pequeno filme de Jorge Colombo, The Reader: expectativa, envolvimento, ritmo, ocultação, sedução; à volta, igual e de cada vez diferente, a vida quotidiana.
Outros lugares onde se poderá aprender o mesmo: um belíssimo sítio virtual, O Silêncio dos Livros (aqui), curso acelerado que nos revela como ler implica perder, ganhar, transformar o corpo; ou o álbum de Eduardo Prado Coelho, Manuel Gusmão e Duarte Belo- O Leitor Escreve Para Que Seja Possível (aqui); ou ainda o romance de Italo Calvino, Se Numa Noite de Inverno Um Viajante (Porto, Público, colecção "Mil Folhas", nº 11, 2002- trad. José Colaço Barreiros):
Estás para começar a ler o novo romance Se Numa Noite de Inverno um Viajante de Italo Calvino. Descontrai-te. Recolhe-te. Afasta de ti todos os outros pensamentos. Deixa esfumar-se no indistinto o mundo que te rodeia. A porta é melhor fechá-la; lá dentro a televisão está sempre acesa. (...) Arranja a posição mais cómoda. Sentado, estendido, enroscado, deitado. Deitado de costas, de lado, de barriga. Na poltrona, no sofá, na cadeira de baloiço, na cadeira de praia, no pufe. Numa cama de rede, se tiveres alguma cama de rede. Em cima da cama, naturalmente, ou dentro da cama. Até podes pôr-te de cabeça para baixo, em posição de yoga. Com o livro virado ao contrário, bem entendido.
Faltará à Didáctica da Poesia (se tal não for uma contradição nos seus próprios termos) a atenção a esta física da leitura : ler alto, ouvir ler alto ou criar condições para que cada qual saiba estar de corpo perdido e reencontrado perante os poemas que existem no mundo que assim se recria.









