poesia . fotografia . & etc.


Talvez o mundo não seja pequeno / Nem seja a vida um fato consumado . Chico Buarque de Hollanda, com Gilberto Gil








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terça-feira, 4 de abril de 2017

O aprendiz de FEITICEIRO
teorias portáteis sobre poesia

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VESÚVIO

Viagem em Itália de Rossellini (1954). Katherine (Ingrid Bergman) e Alexander (George Sanders) são o casal Joyce, ingleses de visita a Itália (uma vez mais, como em Um Quarto com Vista de Forster). Dão-nos uma conversa edificante sobre poesia ou talvez, lá no fundo,  sobre outras matérias: a natureza do gelo, o ciúme, a saudade, a paixão, ou todas essas coisas (e as outras) ao mesmo tempo, como é próprio, aliás, da poesia. Ela existe porque os diálogos avançam precisamente assim, entre surdos que insistem em ouvir-se.










Mas há um terceiro ponto de vista, o do responsável que lhes mostrou a casa: 

«Quero que vejam a varanda. Aquele é o Vesúvio. Desde a erupção de 1944 que está inactivo. Mas a temperatura começa a subir. Atrás daquela primeira montanha fica Pompeia.»

Não o sabe, mas é ele quem melhor nos apresenta a poesia: vistas para a quietude, iminentes erupções. Fóssil e fogo.








sábado, 26 de março de 2016

O aprendiz de FEITICEIRO
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 LUPA E GRÃO DA VOZ

"La última costa" de Francisco Brines.
Parece-me este vídeo uma boa síntese do que é a poesia. Um autor que é seu leitor, que tem de decifrar as suas próprias, tão íntimas palavras, o seu próprio passado, recriá-lo multiplicando os olhos, num saber das últimas e das primeiras coisas. Ver muito, ver pouco. Um poema perfeito e bem arrumado no seu livro, mas o imenso grão da voz.




http://cultura.elpais.com/cultura/2015/11/23/babelia/1448293850_921270.html?id_externo_rsoc=FB_CC
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sábado, 18 de janeiro de 2014

O aprendiz de FEITICEIRO
teorias portáteis sobre poesia

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A magnólia é a poesia
[Luiza Neto Jorge, Daniel Faria, Luís Quintais]




Shohei Hanazaki


Roland Barthes em Lição: « É porque a literatura põe em cena a linguagem, em vez de simplesmente a utilizar, que engrena o saber no mecanismo da reflexividade infinita: através da escrita o saber reflecte continuamente sobre o saber, segundo um discurso que já não é epistemológico, mas dramático.»

Assim é, por maioria de razão, com a poesia. Pense-se no "poetodrama" ou no "drama em gente"  pessoanos (para retomar as expressões de José Augusto Seabra), em que vemos a poesia sistematizar e potenciar essa sua vocação. Pense-se também naquilo que nos dizem três poetas sobre uma magnólia (ver textos abaixo)- Luiza Neto Jorge, Daniel Faria e, finalmente, Luís Quintais, cujo poema despoletou em mim a consciência de um sucessivo reenvio de saberes entre textos. Tal acontece de um modo tão fulgurante que, a partir de um certo ponto, o Tempo se lê apenas no tempo dos poemas. Não faz, então, sentido procurar quem inicia as falas, quem pergunta ou quem responde.

A magnólia começa por existir (ali está ela) e expõe a sua beleza e intensidade- digamos assim, para simplificar. Mas, justamente, os poemas não simplificam e neles vemos três modos diferentes de usar e conceber a poesia.

No poema de Luiza Neto Jorge é como se essa existência exaltasse o próprio existir de todas as existências, o que faz dela o "acontecimento mestre". Tudo se despoleta a partir daquela vocação da poesia que nos dá a "exaltação do mínimo", do mais discreto que justifica a vida, para lá de todos os valores e construções sociais. Assim preconizava, aliás, Ricardo Reis, que sabe também, poeticamente, de magnólias: «Prefiro rosas, meu amor, à pátria, / E antes magnólias amo / Que fama e que virtude.» Luiza exemplifica no seu texto o devir magnólia do poema e do sujeito. 

segunda-feira, 23 de setembro de 2013

O aprendiz de FEITICEIRO
teorias portáteis sobre poesia




Ramos Rosa: poesia, liberdade livre

Há em alguns um modo raro de escrever a vida e de viver a poesia. É um caminho muito estreito e assim deslumbrado. 



André Letria


O poeta moderno descobre e denuncia a alienação total de um mundo cruel e desumano. Não há lugar, não só para o poeta e para a poesia, "não há lugar" simplesmente: a possibilidade de uma respiração livre e fraterna , de uma harmonia viva, apenas se propõe no exercício da poesia, no grito que ela é. A poesia descobre-se com Rimbaud "liberté libre", mas infernal. 

Poesia, Liberdade Livre,  col. O Tempo e o Modo, Livraria Morais Editora, 1962




Onde estou aqui quisera estar
monotonamente ardente
serenamente vivo
animal da fábula doméstica
concreto sob a materna sombra
fiel ao fundo do tempo
e de mim mesmo

O livro da Ignorância, Signo, 1988







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sábado, 2 de março de 2013

O aprendiz de FEITICEIRO
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Como definir a poesia, senhor Breton?

A poesia é um assunto que vem no vento quando o vento bate no jardim. Eis o início de uma definição. Claro que o vento não é uma estrutura inteira que possa bater completamente num jardim. E nem um jardim é essa unidade que o vocábulo jardim aparenta. Existem as flores e a falta de flores; as raízes enquanto parte invisível da memória do jardim e as folhas caídas no chão como parte visível da memória do jardim. Passado e presente temos juntos e momentâneos num jardim, o futuro não. E é o vento (que visto por quem vê seriamente as coisas), é o vento que afastado ainda do jardim, aproximando-se, traz com ele o futuro. E é quando a profecia, em brisa, bate em cheio no presente e no passado, é aí, momento nítido, que surge a poesia. Que bonito!
Claro que poderás dizer que, se o vento leve sobre as folhas caídas e sobre as folhas levantadas é poesia, então será discurso impublicável.
E sim, é certo, tens razão: é impublicável tal discurso; vocábulos finíssimos. Dirás ainda que o vento breve no ramo forte é verso erudito de mais, que poucos- raros- o entendem. Sim, tal é também verdade: poucos raros o entendem. Mas sabes que os raros quando atravessam os campos fazem levantar a cabeça às toupeiras. E quando entram no mar atravessam o mar fortemente chegando intactos ao lado oposto. Estes são os raros. Eis o que diz o senhor Breton.
O homem comum utiliza a salvação para se salvar. Os raros utilizam o veneno para se salvarem.


Gonçalo M. Tavares 
"Seis perguntas ao senhor Breton- sobre o prazer da poesia" in O Prazer da Leitura, Teorema/Fnac, 2010





Jillian Tamaki







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sexta-feira, 9 de março de 2012

O aprendiz de FEITICEIRO
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A Poesia ou O Fôlego do Nadador


Quando se propõem teorias sobre poesia (mesmo se portáteis) a expectativa será a de anunciar ou celebrar o que a poesia é.
Pedro Eiras no ensaio "O que é a poesia?", com que abre o seu volume A Lenta Volúpia de Cair (Quasi Edições, 2007 - aqui), explica-nos que se trata de uma questão mal colocada. Aliás, será mesmo pertinente (questiona-se de novo) formular a própria pergunta, tratando-se de um objecto como a poesia?
Pedro Eiras:
« Dizer que a poesia "é" implica vê-la enquanto um estado: "a poesia é" impede enunciados como, por exemplo, "a poesia dança" ou "a poesia queima". » (p.14)
« Se a prosa estende o novelo a uma velocidade alucinante, a poesia deixa as palavras em ilhas e pede que nademos de praia em praia. Os pulmões do nadador trabalham contra as ondas. || O poema mantém as palavras entre distâncias, não entre medidas. A única medida, a haver, é o fôlego do nadador. » (p.19)
É assim também no belíssimo vídeo em que Roberta Ferraz diz um poema de Fiama Hasse Pais Brandão ("Anjo de papel ou de água?"), incluído na série "Empreste sua voz a um poeta morto", em Modo de Usar & Co (aqui).

roberta ferraz diz fiama. filmado por marcelo f oliveira em Guecá / SP

O rosto do leitor fica oculto. Deixa que o papel e o mundo brilhem por ele, o mundo em espuma e cabelos confundidos com a ventania. A oscilação do mundo que acompanha o ritmo do poema, ou o contrário, como se o poema fosse a realidade do mar e o mar a metáfora do poema.

Ou, mergulhando no texto de Fiama:
Vai fascinar-me o torvelinho mor- / tal em que mesmo os poemas sem dor / sempre se desfazem.

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quarta-feira, 6 de julho de 2011

O aprendiz de FEITICEIRO
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O Poeta Dorme Sempre de Pé



Esta teoria portátil nasce de alguns acasos e circunstâncias. Tenho andado às voltas com um poema sobre a Torre dos Clérigos (tão vertical, como sabemos) e o seu autor, Nicolau Nasoni, que estará sepultado (supõe-se que na horizontal) em lugar incerto da igreja anexa, tudo pretensamente para a minha série de poemas Os Lugares Perdidos, cujo título talvez se perca mudando precisamente para O Lugar Que Muda o Lugar - mas nada disto é, de facto, muito rigoroso.

Tencionava também fazer uma entrada para esta etiqueta das Teorias Portáteis a partir de dois dos "senhores" de Gonçalo M. Tavares, Breton e Eliot. Neles, pelo que vislumbrei folheando os livros algures, recolheria duas visões bem destacadas acerca da palavra poética e do seu trabalho, diferentes e sugestivas formas de nos acercarmos da poesia e da sua hipotética essência. Dá-se a circunstância de ainda não ter tido dinheiro para comprar, logo de uma assentada, os dois senhores, e daí ter ido buscar um outro que, felizmente, já estava na estante: O Senhor Valéry. Na parábola que se segue (e que transcrevo com a devida vénia), pontuada pelos conhecidos desenhos de Rachel Caiano, encontro algumas pedras ou tijolos para o meu poema e uma arquitectónica teoria que aplico, de forma algo selvagem, à poesia:



O Cubo

O senhor Valéry dormia sempre de pé para não adormecer.

Ele explicava: Uma torre é feita para ver tudo. E acrescentava: Não há torres horizontais.

No entanto, provocado, o senhor Valéry decidiu desenhar uma torre deitada.

E depois explicou:

-Se a torre for um cubo vemos o mesmo, lá de cima, quer ela esteja na vertical ou na horizontal.

E desenhou uma torre em forma de cubo, na horizontal.

Depois desenhou uma torre em forma de cubo, na vertical.

-É igual, vêem?

E o senhor Valéry concluiu, dizendo, num tom filosófico e profundo:

- Se todas as coisas fossem cubos não haveria tantas discussões. E não existiria a dúvida.

Depois de uma pequena pausa, o senhor Valéry disse ainda:

-Não é por acaso que eu durmo sempre de pé.



Gonçalo M. Tavares, O Senhor Valéry, Caminho, 2002 - desenhos de Rachel Caiano






Há belíssimos poemas que servem só para neles adormecermos, há canções de embalar, mas uma das qualidades da poesia (sim, a palavra não é pacífica...) poderá ser a de dormir de pé. Ela propõe uma distância, um repouso do mundo apenas para nele contrariar a uniformidade, e então ver simplesmente tudo, até porque as dúvidas não permitem o horizontal sono profundo, pelo qual talvez (lá muito no fundo) anseie. É claro que, ao defendermos uma perspectiva tão elevada da poesia, dificilmente escaparemos à tipificação irónica de uma história exemplar.








sábado, 27 de novembro de 2010

O aprendiz de FEITICEIRO
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Poesia e Real ou O Poeta e o Mar


Fernando Guimarães escreve poesia e fala sobre poesia. Continua a ser um dos segredos menos bem escondidos da nossa cultura literária e filosófica, um autor devidamente consagrado, mas que se mantém discretíssimo. (Fica aqui uma excelente leitura do poeta por Maria João Reynaud).
Desta vez, encontramo-lo numa entrevista filmada, na Página Literária do Porto, em três sequências (aqui). Num primeiro momento, fala-nos da "Poesia Portuguesa Contemporânea", centrando-se, em particular, nos conceitos de "modernismo" e "pós-modernismo"; depois discorre sobre os "Sentidos da Poesia" (linguagem, imaginação e ideologia) e o "Papel da Crítica". No último filme, após a abordagem do tema "Da Década de 50 à Actualidade" (revistas de poesia e edição de poesia), temos "Poesia e Real".

Poesia e Real, portanto. A pergunta do entrevistador terá sido esta: qual a influência, na sua poesia, do lugar onde nasceu e vive, o Porto? Fernando Guimarães responde:

« Julgo que essa influência não foi significativa. Apenas terá para mim um significado (mas um significado que se fecha em mim mesmo) o facto de eu viver muito junto do mar, e olhar para o mar é qualquer coisa que não pode deixar de nos influenciar. Mas se nos influencia, poderá influenciar a poesia?»

O poeta responde com uma pergunta e um sorriso sábio e hesitante, numa espécie de douta ignorância. Depois percebemos, nos últimos planos, que se trata de uma sala cheia de livros, uma luz central, um vulto na mesa de trabalho, uma janela azul quase noite.
Talvez possamos, humildemente, colocar as coisas deste modo. Há lugares e mundos que não podem deixar de nos influenciar. Há significados que se fecham em nós mesmos. O poema imita os lugares e os mundos na medida em que o seu significado se fecha em si mesmo.

Duas citações. A primeira de António José Saraiva em Ser ou Não Ser Arte, Pub. Europa-América, 1974:
O poema e as suas palavras não representam, são. Não há além do poema, a não ser a infinitude em que ele mesmo participa. E este ser do poema e das suas palavras não se fecha dentro do poema e das suas palavras. O poema significa sempre algo, mas já não no sentido de que é o significante ou o representante de outra coisa, antes no de que não cabe todo dentro dele mesmo, está dentro e fora dele mesmo. Um poema significa uma realidade do mesmo modo que uma concha marinha significa o mar: ela não é o emblema convencional do mar: é também o mar, onde se gerou e de que nos traz a presença.

A segunda citação recolhemo-la no próprio Fernando Guimarães e é o início de um poema de Na Voz de um Nome, Roma Editora, 2006 :

Refiro-me ao mar, à areia, a esta rede dispersa e transparente.
Isto é o que escrevo e tu, leitor, vens acrescentar algumas palavras; sempre foi assim. Procuro encontrar à volta um pouco mais de luz, e se ela chegou foi porque a trazias contigo.


É favor ler todo o resto do poema. Fica na página 12.








terça-feira, 22 de junho de 2010

O aprendiz de FEITICEIRO
teorias portáteis sobre poesia



jorge colombo, the reader (recolhido aqui)

A Leitora

Ler, e ler, por maioria de razão, poesia, poderá exigir para muitos uma metafísica, mas implica, antes de mais, e para todos, uma física. Mau estar, embaraço, desencontro. Ou então felicidade viva, corpo a corpo, talvez uma arte de amar. É o que nos propõe o pequeno filme de Jorge Colombo, The Reader: expectativa, envolvimento, ritmo, ocultação, sedução; à volta, igual e de cada vez diferente, a vida quotidiana.

Outros lugares onde se poderá aprender o mesmo: um belíssimo sítio virtual, O Silêncio dos Livros (aqui), curso acelerado que nos revela como ler implica perder, ganhar, transformar o corpo; ou o álbum de Eduardo Prado Coelho, Manuel Gusmão e Duarte Belo- O Leitor Escreve Para Que Seja Possível (aqui); ou ainda o romance de Italo Calvino, Se Numa Noite de Inverno Um Viajante (Porto, Público, colecção "Mil Folhas", nº 11, 2002- trad. José Colaço Barreiros):

Estás para começar a ler o novo romance Se Numa Noite de Inverno um Viajante de Italo Calvino. Descontrai-te. Recolhe-te. Afasta de ti todos os outros pensamentos. Deixa esfumar-se no indistinto o mundo que te rodeia. A porta é melhor fechá-la; lá dentro a televisão está sempre acesa. (...) Arranja a posição mais cómoda. Sentado, estendido, enroscado, deitado. Deitado de costas, de lado, de barriga. Na poltrona, no sofá, na cadeira de baloiço, na cadeira de praia, no pufe. Numa cama de rede, se tiveres alguma cama de rede. Em cima da cama, naturalmente, ou dentro da cama. Até podes pôr-te de cabeça para baixo, em posição de yoga. Com o livro virado ao contrário, bem entendido.

Faltará à Didáctica da Poesia (se tal não for uma contradição nos seus próprios termos) a atenção a esta física da leitura : ler alto, ouvir ler alto ou criar condições para que cada qual saiba estar de corpo perdido e reencontrado perante os poemas que existem no mundo que assim se recria.





terça-feira, 25 de maio de 2010

O aprendiz de FEITICEIRO
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TEORIA DA POESIA: parêntesis de parêntesis ou o feitiço contra o feiticeiro



No título a alusão ao belíssimo livro de Carlos de Oliveira. Esta etiqueta recobrirá efémeros pensamentos pessoais sobre poesia, num dia em que o autor do blogue se ache mais inspirado, ou justamente menos, talvez apenas mais pachorrento, para recordar a versão pacífica de um verso célebre. Ou recolhe-se então, a propósito, uma citação teórica, um poema ou excerto narrativo alheios, tudo o mais.

É também uma homenagem distante a um professor de Teoria da Literatura, Américo Santos, a quem muito admirava por um saber que queria sobretudo inquietar (assistente de um outro professor que também não esqueço, José Augusto Seabra, ambos absurdamente já distantes do mundo onde estamos). Ensinava ele que nesse livro de prosas estavam sugeridas, exemplificadas ou consagradas todas as grandes questões de uma teoria da literatura (dizia: podem daqui nascer infinitos ensaios sobre a vida dos livros).

Permita-se uma primeira intuição sobre o tema que aqui nos ocupará: uma teoria da poesia talvez se traduza apenas em parêntesis como estes, parêntesis que sempre se abrem noutros parêntesis, algo que vai avançando, mas tudo suspendendo e a tudo regressando. Sim, e talvez se vire o feitiço contra o feiticeiro, manipulando matérias facilmente inflamáveis.

O Aprendiz de Feiticeiro- um livro que, se pudesse, mandava encadernar com uma capa sóbria de pele natural, para proteger os grafismos de Lima de Freitas e as fotografias de Augusto Cabrita, mas haveria nela desenhos extravagantes embutidos, labirintos lavrados a fogo.

J.M.T.S.






















Carlos de Oliveira, O Aprendiz de Feiticeiro (com fotografias de Augusto Cabrita),
publicações dom quixote, 1971