poesia . fotografia . & etc.


Talvez o mundo não seja pequeno / Nem seja a vida um fato consumado . Chico Buarque de Hollanda, com Gilberto Gil








segunda-feira, 31 de outubro de 2011

Parábola Óptica
teorias portáteis sobre fotografia





 

Encenação de uma Encenação


O trabalho de Lacey Terrell, no projecto que intitula offSET, tem a enorme vantagem de questionar as narrativas consagradas acerca do real, da ficção, da banalidade e do mistério. A fotografia é como que inventada para reproduzir mecanicamente o real, mas a perseguição que ela lhe move ao longo da sua história vem apenas revelar o carácter potencialmente infinito e fugidio do seu objecto. Apreender o real, reproduzi-lo (offset) é necessariamente deslocarmo-nos dentro dele entre metamorfoses, vazios e sobras (off set). Se o real é reinvenção de si mesmo, a sua adiada encenação, a fotografia será, nessa medida, a encenação de uma encenação. Lacey Terrell, offSET (aqui).
J.M.T.S.



quarta-feira, 26 de outubro de 2011

sexta-feira, 21 de outubro de 2011

espaço (i)maculado . ana abreu










As imagens de batatas, borboletas e meninas fazem parte de conjuntos iconográficos cujo desenvolvimento teve como referente o arquivo do Instituto de Reinserção Social para Raparigas, que durante décadas esteve sediado no espaço do Convento Corpus Christi, nas margens do Douro, em Vila Nova de Gaia.

fo
tografia de Amélia Nabais a partir de instalação



ANIMA é uma sequência poética a partir do projecto Espaço (I)maculado. A sair em finais de Outubro nas edições Língua Morta. (aqui)




Há nas vidas a vida das batatas
o que sempre assim fica por rimar








segunda-feira, 17 de outubro de 2011

as súbitas permanências



ROMA, CEMITÉRIO PROTESTANTE


Ali fica o lugar dos estrangeiros
o inverso jardim anunciado
pelo sopro dos ciprestes, o baque repetido
das folhas dispostas sobre o musgo
Recolhe-se um murmúrio, o nome
do poeta escrito para sempre pela água
Eis a selva delicada, violetas
lírios violentos, um império dos gatos
Retomam o salto primitivo, soltam uma vida
por entre a tepidez terrífica das asas
Como se afundam donzelas em relvados
todo o tempo para as tranças de pedra
as mãos em abandono sobre os seios
pomos lentamente congelados

Chegaram pelo claro vapor da manhã
vaguearam as tardes estiradas pelas praças
pressentem nocturno o suspiro das fontes
o cerco de colunas derrubadas
sabiamente dispersas pelas colinas

e ali alcançam uma vida atrás da outra
as cúpulas mais distantes da cidade



J.M.T.S. in As Súbitas Permanências, Quasi Edições, 2001 (aqui)







jmts










domingo, 16 de outubro de 2011

# Em Agenda #







Como quem diz: é urgente inventar algo realmente diferente, outra disposição do lugar.





quarta-feira, 12 de outubro de 2011

segunda-feira, 10 de outubro de 2011

as súbitas permanências



A MULHER NUA


Há um rumor no silêncio que atordoa
Assim fulgura a palidez da pele
de sombras nuamente sustentadas
Abandonas a túnica inconsútil
no peso repousado que respira
serenas gradações precipitadas
halos breves da mais densa penugem
Como abraçar toda a nudez mais nua
se intensamente tão de si vestida?


J.M.T.S. in As Súbitas Permanências, Quasi Edições, 2001 (aqui)








jmts