poesia . fotografia . & etc.


Talvez o mundo não seja pequeno / Nem seja a vida um fato consumado . Chico Buarque de Hollanda, com Gilberto Gil








Mostrar mensagens com a etiqueta Ana Abreu. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Ana Abreu. Mostrar todas as mensagens

quarta-feira, 4 de maio de 2016

 # Em Agenda #




Há na poesia (entre outras dimensões) uma sedutora vocação portátil, um modo de existir que a confunde com o correr dos dias. Nessa linha de ideias, as BULAS do Correio do Porto (ver aqui) são um projecto sugestivo, ao pôr alguns papéis a girar ao vento. Sabe-se lá a quem e como irão parar. Se há uma sugestão irónica de livrinho de auto-ajuda, basta abri-las e percebemos que não se dão receitas: a poesia é, como diz Manoel de Barros, um "inutensílio". E, sendo isso, para tanto nos serve.
A minha ficou uma pequenina antologia de poemas, provenientes de vários livros com mais um inédito,  à volta (talvez) de coisas cósmicas- digamo-lo assim, que cabe tudo. O búzio da Ana Abreu ajuda muito.




http://www.correiodoporto.pt/a-bula/a-bula-de-maio

clicar na imagem






terça-feira, 11 de novembro de 2014

Piscinas

 desenho de Ana Abreu 




É água, apenas a serena água
feita de buracos negros, turvações
flechas que rebrilham na sua quietude

Convém saber de correntes e seus fundos
da linha lisa que ao nadar arrasta
os limos da maré e a fricção das ondas

Mergulha-se num corpo que se afoga em nós
suspensa assim a vida nesses poços de água


jmts




ana abreu




sexta-feira, 10 de outubro de 2014

 Piscinas

 desenho de Ana Abreu 




O temporal agitará as piscinas
chegarão pequenos corvos, coloridos
pássaros nas escadas úteis, praticáveis

Vem da baleia branca o ronco das máquinas
estalam depois as barreiras, uma a uma
ceder de paredes, as sucessivas ondas

A água inteira será só a do mar
levando o mar, bandeiras, mínimos sinais


jmts



 ana abreu





 

quinta-feira, 22 de maio de 2014

processos sumários


Alguns sacos de água 
com seres que vieram da prai
                
                                                             desenhos de Ana Abreu




3.

Do mar a transparência
que a água em si retém
recomeçada e turva

O que partiu revela
outras densidades
(memórias e antenas)
apura íntimas correntes
como se em tudo regressasse

Ou fica por colecções
de etiquetas e figuras
esperando matérias carcomidas
(da maresia os ossos pequeninos)
e haverá quem diga que

ninguém nos ensina
e está ali o mar


jmts






 ana abreu





terça-feira, 6 de maio de 2014

processos sumários


Alguns sacos de água 
com seres que vieram da prai
                
                                                             desenhos de Ana Abreu




2.

O distraído fervor das etiquetas
destino sumário das coisas
suspensas e atadas

Nem sabemos se as hastes vivas
agitam o desespero
(flores da água) ou sequer
suspeitam de quanto jaz
na rotação do mundo

Calaremos as ondas que batem
(assunto arrumado), são agora 
trabalhos de inspiração e asfixia
deixar cegos os nós, as cataratas
como seixos que encham os olhos

Fosse esta memória
do mar a transparência


jmts






 

 ana abreu










quarta-feira, 19 de março de 2014

processos sumários



Alguns sacos de água 
com seres que vieram da prai
                
                                                             desenhos de Ana Abreu




1.

Está ali o mar, ninguém nos ensina
aprendemos muito de repente
e muito devagar

Seguimos esquecidas instruções
recolher o que dá à praia
(assim se diz), o que fica
a morrer, entre a primeira
e a derradeira água

Vibrasse ainda num saco
de improvável transparência
e seria milagre (é o termo)
essa mesma e
remota ondulação

Um tudo nada mais tarde
o distraído fervor das etiquetas

jmts







 ana abreu








segunda-feira, 20 de maio de 2013

ANIMA
poemas de J.M.T.S.
trabalhos de Ana Abreu|Espaço(I)maculado











Animal que devora o próprio fim
a batata insiste, persiste nela
avança para onde não estará
distende as presas, garras de si mesma
e meninas bordam, dobram motivos
de humidade, quadros de bolor
o que vai vivendo nas naturezas mortas





As imagens de batatas e borboletas fazem parte de conjuntos iconográficos cujo desenvolvimento teve como referente o arquivo do Instituto de Reinserção Social para Raparigas, que durante décadas esteve sediado no espaço do Convento Corpus Christi, em Vila Nova de Gaia.


ANIMA está publicado nas edições LÍNGUA MORTA  aqui






terça-feira, 1 de maio de 2012

espaço (i)maculado . ana abreu









As imagens de batatas, borboletas e meninas fazem parte de conjuntos iconográficos cujo desenvolvimento teve como referente o arquivo do Instituto de Reinserção Social para Raparigas, que durante décadas esteve sediado no espaço do Convento Corpus Christi, nas margens do Douro, em Vila Nova de Gaia.


 


ANIMA é uma sequência poética a partir do projecto Espaço (I)maculado, nas edições Língua Morta. (aqui)


Trazem nas asas fios de humidade
estas manchas, crostas do ar espesso
ou lascas da alma ou lixívia entornada






quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

espaço (i)maculado . ana abreu


As imagens de batatas, borboletas e meninas fazem parte de conjuntos iconográficos cujo desenvolvimento teve como referente o arquivo do Instituto de Reinserção Social para Raparigas, que durante décadas esteve sediado no espaço do Convento Corpus Christi, nas margens do Douro, em Vila Nova de Gaia.




ANIMA é uma sequência poética a partir do projecto Espaço (I)maculado, nas edições Língua Morta. (aqui)


Borboletas provêm de batatas
de ranho, baba, extensões difíceis





terça-feira, 22 de novembro de 2011

espaço (i)maculado . ana abreu









As imagens de batatas, borboletas e meninas fazem parte de conjuntos iconográficos cujo desenvolvimento teve como referente o arquivo do Instituto de Reinserção Social para Raparigas, que durante décadas esteve sediado no espaço do Convento Corpus Christi, nas margens do Douro, em Vila Nova de Gaia.

fotografia de Amélia Nabais a partir de instalação



ANIMA é uma sequência poética a partir do projecto Espaço (I)maculado, nas edições Língua Morta. (aqui)



cerzindo de brandura as batatas
tecidas de puída transparência
e nascem borboletas de asas tão pesadas





quarta-feira, 9 de novembro de 2011

espaço (i)maculado . ana abreu







As imagens de batatas, borboletas e meninas fazem parte de conjuntos iconográficos cujo desenvolvimento teve como referente o arquivo do Instituto de Reinserção Social para Raparigas, que durante décadas esteve sediado no espaço do Convento Corpus Christi, nas margens do Douro, em Vila Nova de Gaia.




ANIMA é uma sequência poética a partir do projecto Espaço (I)maculado, nas edições Língua Morta. (aqui)



quando subimos ou tanto caímos
são os poços do ar, as meninas perdidas






sexta-feira, 21 de outubro de 2011

espaço (i)maculado . ana abreu










As imagens de batatas, borboletas e meninas fazem parte de conjuntos iconográficos cujo desenvolvimento teve como referente o arquivo do Instituto de Reinserção Social para Raparigas, que durante décadas esteve sediado no espaço do Convento Corpus Christi, nas margens do Douro, em Vila Nova de Gaia.

fo
tografia de Amélia Nabais a partir de instalação



ANIMA é uma sequência poética a partir do projecto Espaço (I)maculado. A sair em finais de Outubro nas edições Língua Morta. (aqui)




Há nas vidas a vida das batatas
o que sempre assim fica por rimar