poesia . fotografia . & etc.


Talvez o mundo não seja pequeno / Nem seja a vida um fato consumado . Chico Buarque de Hollanda, com Gilberto Gil








Mostrar mensagens com a etiqueta Amélia Piedade. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Amélia Piedade. Mostrar todas as mensagens

quarta-feira, 30 de junho de 2010

as súbitas permanências



MONTAGEM
para a Paula e para a Sofia

E depois
eram os meninos do aniki-bobó
no campo longo as
tranças a preto e branco o bolso
do calção dava para a varanda do
rio
entre as ervas da chita o
passarinho totó e a estrela dos barcos
O comboio, a queda, o túnel, o túnel


J.M.T.S. in As Súbitas Permanências, Quasi Edições, 2001 (aqui)




























































Amélia Piedade
trabalhos originais para o poema "Montagem"








sexta-feira, 23 de abril de 2010

as súbitas permanências



O JOVEM BACH, IMPROVISANDO EM OHRDRUF


Aqui estou de improviso
rapaz solitário no gelo do tempo
Talvez se chame destino, é uma cifra inspirada
água que de longe corresse nos dedos mais vivos
Ficam rígidos se paro
e a música brilha, então, silenciosa no ar da neve
Horas e horas a fio
abre-se-me a vida, imparável, submissa
como se houvesse uma glória das coisas
que assim nos fosse sensível
Voos que de voos se engendrassem
do mais surdo rumor dos dias
velórios sucessivos, a lenha conquistada
tantas outras fugas
O vento destas frinchas enregela os ossos
oxida a floresta dos tubos
musa de um desarmado fervor cósmico
Assim se aprende
no acaso decidido dos meus dedos
que tudo pode afinal acontecer
aqui tão só, mal chegando aos pedais
que movem o mundo


J.M.T.S. in As Súbitas Permanências, Quasi Edições, 2001 (aqui)






























































Amélia Piedade
trabalhos originais para o poema
"O Jovem Bach, improvisando em Ohrdruf"








sexta-feira, 2 de abril de 2010

as súbitas permanências


PRENÚNCIO
para a Maria José

Se repetes o sopro luminoso
dos rios das estrelas do lugar
estremecem no tecido do silêncio
os fios do trovão assim suspenso
e as folhas sussurrando entre linhas
inscrevem agora espelhadas
um arrepio teu na minha pele


J.M.T.S. in As Súbitas Permanências, Quasi Edições, 2001 (aqui)








































Amélia Piedade
trabalhos originais para o poema "Prenúncio"









segunda-feira, 26 de outubro de 2009




as súbitas permanências 

As Súbitas Permanências
V. N. Famalicão, Quasi Edições, Novembro de 2001.

Capa: Mimesis sobre fotografia de J.M.T.S. Ver aqui, incluindo excerto de crítica de Fernando Guimarães.

Epígrafe: "os voos são regressos"- Carlos de Oliveira.



ACABAR, COMEÇAR

Da antiguidade da vida
O arco aberto da primeira maré
a chuva concêntica no musgo dos lagos
o fio incerto dos pássaros no trânsito das nuvens
os olhos que se olham nas cidades aquáticas
Como se ainda voltasses dizendo
no espelho das janelas mergulham para sempre
os peixes sombrios das constelações
Súbitas permanências

J.M.T.S. in As Súbitas Permanências, Quasi Edições, 2001









Amélia Piedade
trabalho original para o poema
"Acabar, Começar"