
domingo, 1 de abril de 2012

sábado, 17 de setembro de 2011

J.M.T.S.
sábado, 14 de maio de 2011

hotel dom henrique #1 - 2010
J.M.T.S.
sábado, 12 de fevereiro de 2011

domingo, 31 de outubro de 2010

J.M.T.S.
sábado, 17 de julho de 2010

Bernard Plossu - Le Sommeil
Há uma vibração no círculo simples das coisas que te pertencem, quando deixas que o ar se desloque sensível e assim adormeça. Se pareces desatenta é só porque tudo habitas. Poderíamos falar da qualidade musical da luz que iluminas ou do modo rigoroso como abandonas os lençóis que vemos viverem contigo. Alguém tentará escolher uma palavra, rubato, quer dizer, chegamos um pouco tarde ou algo cedo, e isso será apenas um nome para a vida.
J.M.T.S.
terça-feira, 27 de abril de 2010
Jeanloup Sieff - Istanbul - 1959
Um barqueiro sombrio? Recorde-se a inclinação de certas horas ou o embalo com que chegam as cidades, aparecem, desaparecem com os avanços das vagas, o vogar atento dos peixes. Saltaremos de barca em barca, até alcançarmos os cais flutuantes, balançam imenso logo que neles assentamos os pés. As torres sobem até ao céu, mergulham com as casas em atropelado precipício. Um pouco mais tarde, esqueceremos a viagem na ondulação dos mercados, ruas e becos. Aí naufragaremos para sempre.
J.M.T.S.
sexta-feira, 26 de março de 2010

Manuel Álvarez Bravo - Lucy - 1980
sábado, 6 de fevereiro de 2010

A infância, a toda a volta do quarto da mãe, é Valparaíso, um cais que distribui estranha gente pelas ruas, estivadores, marinheiros, santas e mulheres selvagens, chegadas e partidas. É uma cidade que infinitamente se sobe e desce. Ao fim das tardes, alguém liberta das trapeiras gaivotas muito altas. Também existem guindastes e brinquedos mecânicos, caixinhas de música em que bate, como num sonho repetido, o coração. Está tudo edificado em excessiva luz e nas simétricas sombras, caves onde germina o bolor das horas que tombaram, mirantes para descobrir o desenho do movimento das praças. As garrafas passam de mão em mão, é puro leite ou denso veneno.
J.M.T.S.
terça-feira, 5 de janeiro de 2010

André Kertész - Washington Square, New York - 1954
Talvez o mundo seja apenas isto. Talvez me estejam a ver em alguma parte da terra, alguém siga o mesmo caminho de passos que desaparecem em sulcos de neve acumulada. E assim percorra os trilhos elegantes do espesso esquecimento, cercas e sinais, bancos ocupados pelo demasiado branco, caligrafia das árvores despidas. Talvez o mundo aqui nasça, talvez seja o último brilho, talvez os vultos se cruzem ou caiam em si, no gelo visível das paisagens.
J.M.T.S.