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Talvez o mundo não seja pequeno / Nem seja a vida um fato consumado . Chico Buarque de Hollanda, com Gilberto Gil








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sexta-feira, 4 de maio de 2018

OTERCEIROTEXTO


A tradução de um poema de Sinéad Morrissey de novo na Enfermaria 6 "Through the square window" pertence ao livro com o mesmo nome, de 2009, e é um dos mais conhecidos e enigmáticos poemas de Sinéad. 

A infância, a maternidade, a geografia mítica de Belfast, coisas deste mundo e do outro separadas por vidraças dificilmente transparentes, e muitos e diversos ecos: o azul de Delft, Derek Mahon ("Courtyards in Delft"), E E Cummings ("how do you like your blue-eyed boy / Mister Death") ou Larkin, a quem a autora já dedicara um texto do seu primeiro livro ("To Look Out Once from High Windows"). 





  






segunda-feira, 29 de agosto de 2016

OTERCEIROTEXTO


A tradução de um poema de Sinéad Morrissey de novo na Enfermaria 6 "An Anatomy of Smell" pertence a Between Here and There, de 2002. É um livro em duas partes, uma espécie de díptico difícil: a primeira focada na Irlanda natal a que a autora regressa, depois de viver em paragens distantes, e a segunda significativamente intitulada "Japan". Trata-se de um poema que interroga as origens e a sua deriva, numa intensa e aguda sondagem do banal significativo. Como é também característico da autora, interessam-lhe os mecanismos da percepção e o amor, esse velho tema.















 aqui







quinta-feira, 11 de fevereiro de 2016


OTERCEIROTEXTO


Do meu projecto de tradução para português de poemas da irlandesa Sineád Morrissey, que tenho divulgado na Enfermaria 6, desta vez "Shostakovich", que pertence ao último livro, Parallax.

Poesia, música, política, e o cruzamento de tudo isso. Questões de ressonância. Disse Sinéad, numa entrevista, sobre este poema:


"In Shostakovich, for example, the parallax is the way in which sound could be doubled. I'm thinking of how Stalin liked his fifth symphony after hating his opera, which made it approved Soviet music. But so many people say it is not, that there is an undertone of mocking, that Shostakovich is doing something incredibly sophisticated. The parallax there is that music can have two meanings."






quinta-feira, 8 de outubro de 2015


OTERCEIROTEXTO


Mais um poema para o meu projecto de tradução para português da obra da irlandesa Sineád Morrissey, que tenho divulgado na Enfermaria 6. Desta vez "Baltimore", que pertence ao último livro, Parallax.


In other noises, I hear my children crying-
in older children playing on the street 
past bedtime, their voices buoyant
(...)


Noutros barulhos, ouço os meus filhos a chorar-
em crianças mais velhas que brincam na rua
fora de horas, nessas vozes que vêm
(...)





terça-feira, 28 de abril de 2015



OTERCEIROTEXTO



O dilema é o seguinte: numa boa tradução, os dois textos de partida 
e de chegada deveriam ser avaliados por um terceiro inexistente.

Paul Ricoeur, Sobre a Tradução (Cotovia, 2005)




Traduzir poesia é, como sabemos, impossível, mas faz-se e é útil. Alarga-nos os horizontes e evita que, enquanto poetas, estejamos sempre a descobrir o fogo ou a roda. Paul Ricoeur, no seu Sobre a Tradução (Cotovia, 2005), explica-nos que sempre se traduziu, facto tão notável como a famigerada incomunicabilidade. É assunto de viajantes, mercadores, embaixadores e espiões. É a esta espécie que pertencem os tradutores de poemas: missão impossível que se faz com paciência e algum ardor, traições, jogo duplo. 

Tenho traduzido poemas de Sinéad Morrissey (Irlanda, 1972). É uma poeta cuja escrita me seduz. Acho-a intensa, sugestiva, provocatória q.b. Fazer versões dos seus textos é para mim aliciante, um corpo a corpo bastante útil enquanto prática de escrita. Para mais, o inglês é uma língua que me oferece resistência, não tenho com ela uma imediata afinidade, e isso é muito interessante como desafio de tradução. Impus-me o projecto de ir trabalhando poemas dos cinco livros que Sinéad Morrissey já publicou.

Trata-se sempre de tentar um texto em português viável enquanto tal, numa liberdade que seja fiel ao que no outro é letra litoral (para usar um título de Eduardo Prado Coelho)- tão letra quanto litoral. Ou algo de preferência mais simples e forte do que estas boas intenções.

As minhas traduções de Sinéad Morrissey têm aparecido na Enfermaria 6, lugar, como sabemos, de frequência problemática (veja-se Tchekhov).


  AQUI