poesia . fotografia . & etc.


Talvez o mundo não seja pequeno / Nem seja a vida um fato consumado . Chico Buarque de Hollanda, com Gilberto Gil








sexta-feira, 29 de março de 2013

ver . ver ponto






O projecto fotográfico ver. concretizou-se na publicação de um livro. É uma edição de autor preparada através da Blurb, empresa que disponibiliza, sem custos, ferramentas de edição e publica na modalidade "print on demand". 

O volume pode ser adquirido aqui
Ver também aqui.

 
ver.  59 anotações fotográficas           
ed. autor / Blurb . dezembro 2012
78 pp. | capa mole | papel ProLine texturado     

Uma reflexão fotográfica acerca do acto de ver. 































































































































































ver . ver ponto























JMTS
série ver. aqui





sexta-feira, 22 de março de 2013

as súbitas permanências



A MULHER NUA

Há um rumor no silêncio que atordoa
Assim fulgura a palidez da pele
de sombras nuamente sustentadas
Abandonas a túnica inconsútil
no peso repousado que respira
serenas gradações precipitadas
halos breves da mais densa penugem
Como abraçar toda a nudez mais nua
se intensamente tão de si vestida?




A MULHER ESTRÁBICA

Enfrenta-nos como se olhasse o mundo
e com intensa distracção beijasse
a mais tocante distância dos lábios
Dedicamos-lhe toda a vasta ausência
que inspira os seus caminhos transviados
e mantém assim forte o nosso abraço
Com olhos que nos trazem tão de longe
como viver o tempo em que se vive
o infinito de um frontal olhar?


J.M.T.S. in As Súbitas Permanências, Quasi Edições, 2001 (aqui)






 modigliani







domingo, 17 de março de 2013

Parábola Óptica
teorias portáteis sobre fotografia





Olhar de novo pela primeira vez


Maíra Soares apresenta assim o projecto Este Seu Olhar

Este seu Olhar é um ensaio feito a partir de fotografias que meu pai fez de minha mãe durante o primeiro ano de casamento. Encontrei essas imagens depois da morte de minha mãe, 35 anos mais tarde, e foi como se estivesse contemplando outra pessoa.  // A proposta deste ensaio é ir ao encontro de minha mãe através do olhar de meu pai. Minha intenção é desvendar seu mundo e sentimentos nesse período da sua vida, enquanto passeio pela memória do meu pai.

Temos aqui uma espécie de tributo a quem desapareceu, mas muito longe do ritual fúnebre das imagens. Dificilmente se conceberá um olhar mais sereno e vivo acerca da passagem da vida. Quando Maíra ocupa o lugar da mãe nas fotografias, e olha tudo isso com o olhar apaixonado do pai, há um vazio que desaparece, e o passado pode então ressurgir na estranheza e intensidade de cada instante. O tempo não pesa nos olhos com a sua ferrugem, porque Maíra assume a forma mais radical de compaixão: ser com o ser do outro que prolongamos na nossa vida. O virtuosismo discreto do fotógrafo está em dar a ver o olhar num espelho que deixa de ser narcísico, porque apenas propõe uma teia delicada de pontos de vista: olhar sempre de novo pela primeira vez.
O livro tem a beleza simples do que profundamente existe, e é filmado com a paixão das coisas que o tempo apura e depura. (ver aqui)





   


J.M.T.S. 
outras Parábolas Ópticas aqui








quarta-feira, 6 de março de 2013

# Em Agenda #





Está já publicado o nº 18 da revista DiVersos - Poesia e Tradução (Fevereiro de 2013, edições Sempre-Em-Pé). Para além de originais de poesia portuguesa, destacam-se traduções para português de poesia de Albert Ayguesparse (Bélgica, trad. de A. Barros), Hölderlin (Alemanha, trad. de Jorge Vilhena Mesquita) e Phillip Sterling (E.U.A. , trad. de José Carlos Marques). Colaboro neste número com quatro poemas do ciclo Música de Anónimo, ainda inédito em livro:

A janela do atelier de J. Sudek
Os cadernos de esboços de J. W. Turner
As raparigas de Capri em pintura de H. Pousão
G. Mahler na cabana junto ao lago











sábado, 2 de março de 2013

O aprendiz de FEITICEIRO
teorias portáteis sobre poesia



Como definir a poesia, senhor Breton?

A poesia é um assunto que vem no vento quando o vento bate no jardim. Eis o início de uma definição. Claro que o vento não é uma estrutura inteira que possa bater completamente num jardim. E nem um jardim é essa unidade que o vocábulo jardim aparenta. Existem as flores e a falta de flores; as raízes enquanto parte invisível da memória do jardim e as folhas caídas no chão como parte visível da memória do jardim. Passado e presente temos juntos e momentâneos num jardim, o futuro não. E é o vento (que visto por quem vê seriamente as coisas), é o vento que afastado ainda do jardim, aproximando-se, traz com ele o futuro. E é quando a profecia, em brisa, bate em cheio no presente e no passado, é aí, momento nítido, que surge a poesia. Que bonito!
Claro que poderás dizer que, se o vento leve sobre as folhas caídas e sobre as folhas levantadas é poesia, então será discurso impublicável.
E sim, é certo, tens razão: é impublicável tal discurso; vocábulos finíssimos. Dirás ainda que o vento breve no ramo forte é verso erudito de mais, que poucos- raros- o entendem. Sim, tal é também verdade: poucos raros o entendem. Mas sabes que os raros quando atravessam os campos fazem levantar a cabeça às toupeiras. E quando entram no mar atravessam o mar fortemente chegando intactos ao lado oposto. Estes são os raros. Eis o que diz o senhor Breton.
O homem comum utiliza a salvação para se salvar. Os raros utilizam o veneno para se salvarem.


Gonçalo M. Tavares 
"Seis perguntas ao senhor Breton- sobre o prazer da poesia" in O Prazer da Leitura, Teorema/Fnac, 2010





Jillian Tamaki







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