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JMTS
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sexta-feira, 29 de março de 2013
sexta-feira, 22 de março de 2013
as súbitas permanências
A MULHER NUA
Há um rumor no silêncio que atordoa
Assim fulgura a palidez da pele
de sombras nuamente sustentadas
Abandonas a túnica inconsútil
no peso repousado que respira
serenas gradações precipitadas
halos breves da mais densa penugem
Como abraçar toda a nudez mais nua
se intensamente tão de si vestida?
A MULHER ESTRÁBICA
Enfrenta-nos como se olhasse o mundo
e com intensa distracção beijasse
J.M.T.S. in As Súbitas Permanências, Quasi Edições, 2001 (aqui)
A MULHER NUA
Há um rumor no silêncio que atordoa
Assim fulgura a palidez da pele
de sombras nuamente sustentadas
Abandonas a túnica inconsútil
no peso repousado que respira
serenas gradações precipitadas
halos breves da mais densa penugem
Como abraçar toda a nudez mais nua
se intensamente tão de si vestida?
A MULHER ESTRÁBICA
Enfrenta-nos como se olhasse o mundo
e com intensa distracção beijasse
a mais tocante distância dos lábios
Dedicamos-lhe toda a vasta ausência
que inspira os seus caminhos transviados
e mantém assim forte o nosso abraço
Com olhos que nos trazem tão de longe
como viver o tempo em que se vive
o infinito de um frontal olhar?J.M.T.S. in As Súbitas Permanências, Quasi Edições, 2001 (aqui)
modigliani
domingo, 17 de março de 2013
Parábola Óptica
teorias portáteis sobre fotografia
teorias portáteis sobre fotografia
Olhar de novo pela primeira vez
Maíra Soares apresenta assim o projecto Este Seu Olhar :
Este seu Olhar é um ensaio feito a partir de fotografias que meu pai fez de minha mãe durante o primeiro ano de casamento. Encontrei essas imagens depois da morte de minha mãe, 35 anos mais tarde, e foi como se estivesse contemplando outra pessoa. // A proposta deste ensaio é ir ao encontro de minha mãe através do olhar de meu pai. Minha intenção é desvendar seu mundo e sentimentos nesse período da sua vida, enquanto passeio pela memória do meu pai.
Temos aqui uma espécie de tributo a quem desapareceu, mas muito longe do ritual fúnebre das imagens. Dificilmente se conceberá um olhar mais sereno e vivo acerca da passagem da vida. Quando Maíra ocupa o lugar da mãe nas fotografias, e olha tudo isso com o olhar apaixonado do pai, há um vazio que desaparece, e o passado pode então ressurgir na estranheza e intensidade de cada instante. O tempo não pesa nos olhos com a sua ferrugem, porque Maíra assume a forma mais radical de compaixão: ser com o ser do outro que prolongamos na nossa vida. O virtuosismo discreto do fotógrafo está em dar a ver o olhar num espelho que deixa de ser narcísico, porque apenas propõe uma teia delicada de pontos de vista: olhar sempre de novo pela primeira vez.
O livro tem a beleza simples do que profundamente existe, e é filmado com a paixão das coisas que o tempo apura e depura. (ver aqui)
J.M.T.S.
outras Parábolas Ópticas aqui
J.M.T.S.
outras Parábolas Ópticas aqui
quarta-feira, 6 de março de 2013
# Em Agenda #
Está já publicado o nº 18 da revista DiVersos - Poesia e Tradução (Fevereiro de 2013, edições Sempre-Em-Pé). Para além de originais de poesia portuguesa, destacam-se traduções para português de poesia de Albert Ayguesparse (Bélgica, trad. de A. Barros), Hölderlin (Alemanha, trad. de Jorge Vilhena Mesquita) e Phillip Sterling (E.U.A. , trad. de José Carlos Marques). Colaboro neste número com quatro poemas do ciclo Música de Anónimo, ainda inédito em livro:
A janela do atelier de J. Sudek
Os cadernos de esboços de J. W. Turner
As raparigas de Capri em pintura de H. Pousão
G. Mahler na cabana junto ao lago
sábado, 2 de março de 2013
O aprendiz de FEITICEIRO
teorias portáteis sobre poesia
Como definir a poesia, senhor Breton?
teorias portáteis sobre poesia
Como definir a poesia, senhor Breton?
A poesia é um assunto que vem no vento quando o vento bate no jardim. Eis o início de uma definição. Claro que o vento não é uma estrutura inteira que possa bater completamente num jardim. E nem um jardim é essa unidade que o vocábulo jardim aparenta. Existem as flores e a falta de flores; as raízes enquanto parte invisível da memória do jardim e as folhas caídas no chão como parte visível da memória do jardim. Passado e presente temos juntos e momentâneos num jardim, o futuro não. E é o vento (que visto por quem vê seriamente as coisas), é o vento que afastado ainda do jardim, aproximando-se, traz com ele o futuro. E é quando a profecia, em brisa, bate em cheio no presente e no passado, é aí, momento nítido, que surge a poesia. Que bonito!
Claro que poderás dizer que, se o vento leve sobre as folhas caídas e sobre as folhas levantadas é poesia, então será discurso impublicável.
E sim, é certo, tens razão: é impublicável tal discurso; vocábulos finíssimos. Dirás ainda que o vento breve no ramo forte é verso erudito de mais, que poucos- raros- o entendem. Sim, tal é também verdade: poucos raros o entendem. Mas sabes que os raros quando atravessam os campos fazem levantar a cabeça às toupeiras. E quando entram no mar atravessam o mar fortemente chegando intactos ao lado oposto. Estes são os raros. Eis o que diz o senhor Breton.
O homem comum utiliza a salvação para se salvar. Os raros utilizam o veneno para se salvarem.
Gonçalo M. Tavares
"Seis perguntas ao senhor Breton- sobre o prazer da poesia" in O Prazer da Leitura, Teorema/Fnac, 2010
"Seis perguntas ao senhor Breton- sobre o prazer da poesia" in O Prazer da Leitura, Teorema/Fnac, 2010
Jillian Tamaki
outras teorias portáteis sobre poesia aqui
imagem vista aqui
domingo, 24 de fevereiro de 2013
UmA EspéciE de MúsicA
no conservatório regional de v. n. gaia
no conservatório regional de v. n. gaia
É um projecto fotográfico que interpreta o espaço
arquitectónico do Conservatório Regional de Vila Nova de Gaia e a
natureza que o envolve como uma espécie de música, para usar a expressão de Óscar Lopes, a propósito da poesia de Eugénio de Andrade. Como se a música também no mundo respirasse.
segunda-feira, 24 de dezembro de 2012
para o dia 25.12.2012
visto aqui
(um sítio por onde gosto, muitas vezes, de fazer um atalho)
quarta-feira, 14 de novembro de 2012
depois os olhos, quando o encontram, encontram só a cidade
Nesta
história sabe que o pai vem de longe, calcorreou ruas, vielas, praças
em diagonal, jardins, escadinhas, é um ponto na muralha, nos planos
desdobrados e encaixados, até desembocar neste caminho junto ao rio.
Encontram-se, estranham-se no modo como os olhos são vivos e únicos, se
cruzam e se perdem. Todos dizem «o teu andar é tão igual ao do teu pai» e
ele força o que julga serem os pontos de semelhança, um ligeiro curvar,
uma coisa assim, mas, no esforço, fica menos parecido e o resultado é
grotesco. O pai vai partir um dia, atravessará a grande ponte, segue-o
com a vista, aos poucos tornar-se-á difícil distingui-lo, perde-o por
momentos, torna a vê-lo numa curva, depois os olhos, quando o encontram,
encontram só a cidade. Atravessa também a ponte, sabe que tem de
inventar os seus passos, no modo mais antigo e natural, tropeça sempre
um pouco. No caminho encontra uma mulher que lhe lê os olhos e o abraça,
brincam nas pedrinhas da calçada os meninos que um dia poderão também
contar esta história.
quinta-feira, 2 de agosto de 2012
Parábola Óptica
teorias portáteis sobre fotografia
Nos discursos que circulam em torno da fotografia, e que sempre se confrontam com o silêncio essencial das imagens, interpela-nos pela sua singularidade o percurso ensaiado em A Câmara Clara de Roland Barthes (Edições 70, 1981). Nele encontramos a postura de um saber desarmado, que desarticula as grelhas de conhecimento para melhor se acercar do extremo fascínio de um fenómeno.
Em Barthes, ultrapassando os protocolos de leitura que relativizam o específico "poder" da fotografia, afirma-se uma espécie de espanto metafísico. É uma perturbação que decorre do confronto com um "momento congelado" que insiste na irrecusável intensidade da sua existência, mas que a câmara vai fixar no preciso momento em que se perde- perdição que a nossa presença como espectadores simultaneamente testemunha e confirma. Na fotografia o verbo "ser" conjuga-se num tempo totalmente perfeito, porque radicalmente consumado e na medida em que se mostra estanque na sua fulgurância existencial, sem detritos nem deriva. E tudo o mais será literatura, a pretexto da fotografia.
A fotografia dar-nos-ia a vida como "spectrum", o morto regresso do que vemos vivo. Acontece que este confronto consiste num abalo puramente vital, isto é, a mais viva consciência de uma perda como resultado da química dos materiais, numa espécie de operação alquímica que permite a paradoxal salvaguarda da vida, na luz e noite essenciais, através da sensibilidade de alguns sais de prata.
Na actualidade, na era da imagem numérica e digital, o imaginário dominante acerca da fotografia é bastante distinto. Procura-se obsessivamente o "vivo" das imagens, mas todo o processo é agora como que desfocado dos trânsitos da realidade e do mundo, abstraindo espaço e tempo. A natureza espectral encontra-se do lado da própria mediação e experiência do fotográfico. Muito pouco da paciente comunhão com a vida e as suas circunstâncias na duração das longas exposições ao tempo, muito pouco das cerimónias indispensáveis para alcançar um momento decisivo e raro; visa-se a captura do real com múltiplos disparos que se reconstituirão num ecrã, a partir da manipulação de reservatórios de "pixels"; opera-se por saltos, por cesuras que elidem as continuidades e os atritos do vivido.
É nesta tensão, que subjaz a alguma da fotografia contemporânea, que podemos situar dois projectos que se mantêm fiéis ao legado das imagens químicas, numa espécie de nostalgia activa.
John Cyr fotografa as tinas que acolheram os líquidos de revelação e de fixação das imagens de alguns fotógrafos. Nelas como que se gravaram o atrito e a tracção mágicos do mundo, no seu carácter luminoso e etéreo, mas implicando o desgaste dos materiais, algumas impressões digitais, feridas na pele, cicatrizes ao modo de um ritual de sacrifício (ver aqui).
Abelardo Morell pratica algo que se aproxima de uma "meta-fotografia" (ver aqui); apresenta-nos nesta série um projecto que reconduz as fotografias à materialidade da natureza, criando uma nova utopia ao arrepio da actual condenação à abstracção do "pixel" (ver aqui). O mundo outra vez o suporte da imagem do mundo.
Fotografia: resistências, atritos
Nos discursos que circulam em torno da fotografia, e que sempre se confrontam com o silêncio essencial das imagens, interpela-nos pela sua singularidade o percurso ensaiado em A Câmara Clara de Roland Barthes (Edições 70, 1981). Nele encontramos a postura de um saber desarmado, que desarticula as grelhas de conhecimento para melhor se acercar do extremo fascínio de um fenómeno.
Em Barthes, ultrapassando os protocolos de leitura que relativizam o específico "poder" da fotografia, afirma-se uma espécie de espanto metafísico. É uma perturbação que decorre do confronto com um "momento congelado" que insiste na irrecusável intensidade da sua existência, mas que a câmara vai fixar no preciso momento em que se perde- perdição que a nossa presença como espectadores simultaneamente testemunha e confirma. Na fotografia o verbo "ser" conjuga-se num tempo totalmente perfeito, porque radicalmente consumado e na medida em que se mostra estanque na sua fulgurância existencial, sem detritos nem deriva. E tudo o mais será literatura, a pretexto da fotografia.
A fotografia dar-nos-ia a vida como "spectrum", o morto regresso do que vemos vivo. Acontece que este confronto consiste num abalo puramente vital, isto é, a mais viva consciência de uma perda como resultado da química dos materiais, numa espécie de operação alquímica que permite a paradoxal salvaguarda da vida, na luz e noite essenciais, através da sensibilidade de alguns sais de prata.
Na actualidade, na era da imagem numérica e digital, o imaginário dominante acerca da fotografia é bastante distinto. Procura-se obsessivamente o "vivo" das imagens, mas todo o processo é agora como que desfocado dos trânsitos da realidade e do mundo, abstraindo espaço e tempo. A natureza espectral encontra-se do lado da própria mediação e experiência do fotográfico. Muito pouco da paciente comunhão com a vida e as suas circunstâncias na duração das longas exposições ao tempo, muito pouco das cerimónias indispensáveis para alcançar um momento decisivo e raro; visa-se a captura do real com múltiplos disparos que se reconstituirão num ecrã, a partir da manipulação de reservatórios de "pixels"; opera-se por saltos, por cesuras que elidem as continuidades e os atritos do vivido.
É nesta tensão, que subjaz a alguma da fotografia contemporânea, que podemos situar dois projectos que se mantêm fiéis ao legado das imagens químicas, numa espécie de nostalgia activa.
John Cyr fotografa as tinas que acolheram os líquidos de revelação e de fixação das imagens de alguns fotógrafos. Nelas como que se gravaram o atrito e a tracção mágicos do mundo, no seu carácter luminoso e etéreo, mas implicando o desgaste dos materiais, algumas impressões digitais, feridas na pele, cicatrizes ao modo de um ritual de sacrifício (ver aqui).
Abelardo Morell pratica algo que se aproxima de uma "meta-fotografia" (ver aqui); apresenta-nos nesta série um projecto que reconduz as fotografias à materialidade da natureza, criando uma nova utopia ao arrepio da actual condenação à abstracção do "pixel" (ver aqui). O mundo outra vez o suporte da imagem do mundo.
quinta-feira, 24 de maio de 2012
teatro
é um texto para teatro que pretende percorrer por dentro
a vida, a música e o pensamento de
jmts
Realizou-se uma leitura encenada no dia 15 de Novembro de 2010
Centro Dramático de Viana | direcção cénica de Castro Guedes
Universidade Católica Portuguesa. Campus Foz. Porto
ver na ligação "Teatro" deste blogue (aqui)
outras informações aqui.
terça-feira, 1 de maio de 2012
espaço (i)maculado . ana abreu
ANIMA é uma sequência poética a partir do projecto Espaço (I)maculado, nas edições Língua Morta. (aqui)
As imagens de
batatas, borboletas e meninas fazem parte de conjuntos iconográficos
cujo desenvolvimento teve como referente o arquivo do Instituto de Reinserção Social para Raparigas, que durante décadas esteve sediado no espaço do Convento Corpus Christi, nas margens do Douro, em Vila Nova de Gaia.
ANIMA é uma sequência poética a partir do projecto Espaço (I)maculado, nas edições Língua Morta. (aqui)
Trazem nas asas fios de humidade
estas manchas, crostas do ar espesso
ou lascas da alma ou lixívia entornada
estas manchas, crostas do ar espesso
ou lascas da alma ou lixívia entornada
terça-feira, 10 de abril de 2012
# Em Agenda #
Está disponível a minha página de fotografia.
Permanentemente na barra lateral deste blogue ou aqui.
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