poesia . fotografia . & etc.


Talvez o mundo não seja pequeno / Nem seja a vida um fato consumado . Chico Buarque de Hollanda, com Gilberto Gil








terça-feira, 1 de maio de 2012

espaço (i)maculado . ana abreu









As imagens de batatas, borboletas e meninas fazem parte de conjuntos iconográficos cujo desenvolvimento teve como referente o arquivo do Instituto de Reinserção Social para Raparigas, que durante décadas esteve sediado no espaço do Convento Corpus Christi, nas margens do Douro, em Vila Nova de Gaia.


 


ANIMA é uma sequência poética a partir do projecto Espaço (I)maculado, nas edições Língua Morta. (aqui)


Trazem nas asas fios de humidade
estas manchas, crostas do ar espesso
ou lascas da alma ou lixívia entornada






terça-feira, 10 de abril de 2012

# Em Agenda #





Está disponível a minha página de fotografia. 
Permanentemente na barra lateral deste blogue ou aqui.













 

quarta-feira, 4 de abril de 2012

ver . ver ponto




                                                 
                                            






















J.M.T.S.







domingo, 1 de abril de 2012

olhos nos olhos




Abelardo Morell- Manhattan View Looking West in Empty Room. série Camera Obscura - 1996



Como abrir e fechar os olhos em quartos preenchidos de muitas portas. Povoar a grande escuridão dos bairros com as luzes que trazemos dos nossos baldios mais distantes. Talvez o mundo, o desdobrado mundo, se possa, enfim, aquietar no sossego rumoroso de uma casa.

J.M.T.S.





olhos nos olhos - também aqui

sábado, 24 de março de 2012

as súbitas permanências



FILATELIA

Fica serena a vida e toda a luz imensa
pelas paredes de papel delido
na felicidade de uma estampa antiga
o tigre de Bengala e a flor dos Alpes

São belas as cores que o dia, deposto, vinga
sépia, carmins, azul ultramarino
um espectro do mundo brilhando denso
a transparente saturação do momento

Mas o vento que assalta sempre as folhas?
E os carimbos, as colas e as dedadas
que fazer das imagens repetidas?

E se, nua, percorres esta casa
por entre os aguaceiros mais intensos
acende-se um relâmpago dos tempos


J.M.T.S. in As Súbitas Permanências, Quasi Edições, 2001 (aqui)













sexta-feira, 9 de março de 2012

O aprendiz de FEITICEIRO
teorias portáteis sobre poesia



A Poesia ou O Fôlego do Nadador


Quando se propõem teorias sobre poesia (mesmo se portáteis) a expectativa será a de anunciar ou celebrar o que a poesia é.
Pedro Eiras no ensaio "O que é a poesia?", com que abre o seu volume A Lenta Volúpia de Cair (Quasi Edições, 2007 - aqui), explica-nos que se trata de uma questão mal colocada. Aliás, será mesmo pertinente (questiona-se de novo) formular a própria pergunta, tratando-se de um objecto como a poesia?
Pedro Eiras:
« Dizer que a poesia "é" implica vê-la enquanto um estado: "a poesia é" impede enunciados como, por exemplo, "a poesia dança" ou "a poesia queima". » (p.14)
« Se a prosa estende o novelo a uma velocidade alucinante, a poesia deixa as palavras em ilhas e pede que nademos de praia em praia. Os pulmões do nadador trabalham contra as ondas. || O poema mantém as palavras entre distâncias, não entre medidas. A única medida, a haver, é o fôlego do nadador. » (p.19)
É assim também no belíssimo vídeo em que Roberta Ferraz diz um poema de Fiama Hasse Pais Brandão ("Anjo de papel ou de água?"), incluído na série "Empreste sua voz a um poeta morto", em Modo de Usar & Co (aqui).

roberta ferraz diz fiama. filmado por marcelo f oliveira em Guecá / SP

O rosto do leitor fica oculto. Deixa que o papel e o mundo brilhem por ele, o mundo em espuma e cabelos confundidos com a ventania. A oscilação do mundo que acompanha o ritmo do poema, ou o contrário, como se o poema fosse a realidade do mar e o mar a metáfora do poema.

Ou, mergulhando no texto de Fiama:
Vai fascinar-me o torvelinho mor- / tal em que mesmo os poemas sem dor / sempre se desfazem.

outras teorias portáteis sobre poesia aqui



quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

o som é como um laço







francis hime | chico buarque . passaredo

[
mpb, poesia de Chico, pássaros: qualidade de vida ]





Ei, pintassilgo
Oi, pintarroxo
Melro, uirapuru
Ai, chega-e-vira
Engole-vento
Saíra, inhambu
Foge, asa-branca
Vai, patativa
Tordo, tuju, tuim
Xô, tié-sangue
Xô, tié-fogo
Xô, rouxinol, sem-fim
Some, coleiro
Anda, trigueiro
Te esconde, colibri
Voa, macuco
Voa, viúva
Utiariti
Bico calado
Toma cuidado
Que o homem vem aí
O homem vem aí
O homem vem aí

Ei, quero-quero
Oi, tico-tico
Anum, pardal, chapim
Xô, cotovia
Xô, ave-fria
Xô, pescador-martim
Some, rolinha
Anda, andorinha
Te esconde, bem-te-vi
Voa, bicudo
Voa, sanhaço
Vai, juriti
Bico calado
Muito cuidado
Que o homem vem aí
O homem vem aí
O homem vem aí






quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

espaço (i)maculado . ana abreu


As imagens de batatas, borboletas e meninas fazem parte de conjuntos iconográficos cujo desenvolvimento teve como referente o arquivo do Instituto de Reinserção Social para Raparigas, que durante décadas esteve sediado no espaço do Convento Corpus Christi, nas margens do Douro, em Vila Nova de Gaia.




ANIMA é uma sequência poética a partir do projecto Espaço (I)maculado, nas edições Língua Morta. (aqui)


Borboletas provêm de batatas
de ranho, baba, extensões difíceis





quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

Parábola Óptica
teorias portáteis sobre fotografia



Meudon, 1928 ou A Fotografia

É talvez apenas uma questão biográfica. A minha descoberta pessoal da Fotografia coincide com a revelação de André Kertész num pequeno livro de bolso, com imagens da Hungria natal, de Paris, de Nova Iorque. Vejo em Kertész o que mais me interessa na Fotografia. Muito em particular, está quase, quase tudo em "Meudon, 1928", que nos transporta para os arredores de Paris. Encontro nesta imagem uma espécie de definição pessoal e selvagem da Fotografia. A saber.

a) Haverá numa fotografia um lugar e um tempo concretos dificilmente iludíveis.


b) Perseguir-se-á a sorte, voltando ao local várias vezes (como fez Kertész em Meudon) ou andando às voltas no mesmo lugar. Construa-se então uma natural transfiguração das coisas, pode mesmo encenar-se um pouco (o transeunte é, neste caso, amigo do fotógrafo), que o real se ocupará também da simulação.

c) Estaremos atentos à margem, aos eternos subúrbios e traseiras da vida, existirá uma espécie de lepra do tempo, e que aí nasça um fulgor, acontecimento decisivo, um equilíbrio maior.

d) Que se tenha alguma dúvida acerca das fronteiras entre o chamado real e o chamado sonho, que o real nos pareça uma modalidade do sonho, que o sonho seja uma alínea do real.

e) Estará presente a síndroma "blow up": poderemos habitar a fotografia, percorrer as minúcias (letreiros, transeuntes, estaleiros de obras sucessivas) e haverá sempre um mistério a resolver (de onde vem, para onde vai o homem do fato escuro, o que transporta tão ciosamente?).

f) O mundo será o encontro e o desencontro do mundo, das suas velocidades, sentidos, pontos de vista.

g) Haverá uma geometria essencial, mas com algum atrito, uma aspereza qualquer que não deixe o brilho inteiro.

h) De preferência o preto e branco, como se fosse o necessário recuo para alcançar as paisagens, os trabalhos e os dias, como se se confundisse com o que talvez seja o peso mais interior dos olhos.

i) Sobretudo que, por fim, a fotografia dispense as palavras, estas palavras.


J.M.T.S.



























meudon, 1928. andré kertész




quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

oCorpodasLetras




"Atlantic", poema de João Miguel Fernandes Jorge em
Invisíveis Correntes,
Relógio d'Água
, 2004
(apresentação de Rui Pires Cabral)



visto aqui



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