o som é como um laço
Em torno dele o som é como / um laço / Está sentado na margem do / teclado detendo com os braços / a força ameaçadora das águas gastão cruz
olivier messiaen . sobre os pássaros
ao piano Yvonne Loriod
[a música apenas ensina o pássaro a deixar-se cantar e o discreto homem a simplesmente voar]
sexta-feira, 20 de novembro de 2009
sábado, 14 de novembro de 2009


alvão. pormenores de uma panorâmica. o douro no porto
súbito
E eis que retenho uma imagem da perfeição. Uma mulher canta na varanda, está lá desde sempre, encostada ao pano de pedra da parede, defende-se da vertigem. O braço leve acompanha a cal, o estuque esboroado. Está encostada e respira sob o tecido do vestido, canta, e é então que todo o ar da cidade a empurra mais um pouco contra o muro, a mão sobre os dois seios, o ar da cidade agora tão apurado, maresia, ferrugens, pó húmido de nuvens e ervas distantes, o penetrante cheiro do lodo do rio, a poeira dourada da ascensão do dia. Uma mulher canta, o ar espesso da cidade respira, suave e antigo, no longuíssimo momento.
J.M.T.S. in A Minha Palavra Favorita, Centro Atlântico, 2007
sábado, 7 de novembro de 2009
sábado, 31 de outubro de 2009
quinta-feira, 29 de outubro de 2009
segunda-feira, 26 de outubro de 2009
as súbitas permanências
As Súbitas Permanências
V. N. Famalicão, Quasi Edições, Novembro de 2001.
Capa: Mimesis sobre fotografia de J.M.T.S. Ver aqui, incluindo excerto de crítica de Fernando Guimarães.
Epígrafe: "os voos são regressos"- Carlos de Oliveira.
ACABAR, COMEÇAR
Da antiguidade da vida
O arco aberto da primeira maré
a chuva concêntica no musgo dos lagos
o fio incerto dos pássaros no trânsito das nuvens
os olhos que se olham nas cidades aquáticas
Como se ainda voltasses dizendo
no espelho das janelas mergulham para sempre
os peixes sombrios das constelações
Súbitas permanências
J.M.T.S. in As Súbitas Permanências, Quasi Edições, 2001

Amélia Piedade
trabalho original para o poema
"Acabar, Começar"
domingo, 25 de outubro de 2009
Não existia nada. Aqui estamos. E depois da frase anterior também.
Subitamente uma palavra- súbito, só melhor do que as outras porque mais súbita, nem se sabe porquê. (...)
Escrevi alguns poemas, fiz algumas fotografias precisamente para que a palavra súbito não existisse, existisse simplesmente o mais súbito que dos súbitos persistisse.
Além do mais, não sei se repararam, à transparência desta folha está escrita, subitamente, a palavra sempre.
Então, desta vez, um texto sobre a palavra sempre. E à transparência, escrita para sempre, a palavra súbito.
jmts
in A Minha Palavra Favorita, Centro Atlântico, 2007
Então, desta vez, um texto sobre a palavra sempre. E à transparência, escrita para sempre, a palavra súbito.
jmts
in A Minha Palavra Favorita, Centro Atlântico, 2007
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